– Uma vez leram-me a sina, há muitos anos atrás – conta-me ela à luz do pequeno candeeiro que já lhe fere a vista.
Abre a palma da mão em frente à cara:
– “Você devia ter casado nova. Agora já não casa.” Devia ter sido o João. Era tão apaixonado por mim… Eu fui ao casamento dele, a noiva atrasou-se mais de uma hora porque faltou a luz no cabeleireiro, quando se estava a arranjar. Mesmo depois de casado, ainda passava pela rua onde eu trabalhava, de propósito. Sim, só podia ter sido o João.
– E tu, também gostavas dele?
– Eu não.