para o f.

e para mim, que bem preciso ser defendida de mim própria… O que eu quero fazer é o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Teixeira de Pascoaes meteu-se num navio para ir atrás de uma rapariga inglesa com quem nunca tinha falado. Estava apaixonado, foi parar a Liverpool. Quando finalmente conseguiu falar com ela, arrependeu-se. Quem é que hoje é capaz de se apaixonar assim? Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato. Por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. (…) Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há. Estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá tudo bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém […]

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solfejo

Quando era pequena ensinaram-lhe a contar o tempo de forma matemática. Lógica, limpa e mecânica. Já crescida, deu por si a tropeçar, desengonçada, nos momentos em que o ritmo se tornava mais complexo e surgia todo um arsenal de sinais confusos. Assumiu a sua culpa, ignorância e falta de destreza e, toda humildade, pediu aos sábios que lhe ensinassem o […]

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e porque não?

He was in love with the most beautiful Reed. He had met her early in the spring (…) and had been so attracted by her slender waist that he had stopped to talk to her. “Shall I love you?” said the Swallow, who liked to come to the point at once. The Happy Prince, Oscar Wilde

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gomesianismo

Vagueando toda a noite. Bebendo todo o dia. Vida de pobre Ninguém nos tira uma fotografia. Já aborrecidos à tarde Bafámos um charro. A alegria voltou Mijámos em cima de um carro. Embora o verso pareça fácil Ainda tive de reflectir um bocado. Agrada-me escrever Sobre o futuro, presente e passado. João Gomes, #32, in Poemas na Madrugada   Trabalhar […]

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good old charlotte

I am every color of a comet’s night I’m an open door to every stranger To every stranger I know I’ll feel the most The fury vanishes as I’m shaking here You know I’ll feel the most The fury vanishes as I’m shaking off my grave clothes Charlotte Martin, Grave Clothes

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it is quiet

it is quiet my love I do not float away at your sight at your words at your matter of gray it is rooted my love like the ancient cool stream your reflection so close to the one I have seen and they’re crappy, my love these words and the rhymes as it’s born in the heart love, not in […]

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